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Setembro Amarelo: a importância da prevenção e do cuidado com a saúde mental no trabalho

Estar atento para a saúde mental também faz parte das ações de prevenção em saúde ocupacional. Entenda como empresas e colegas podem contribuir para um ambiente de trabalho mais acolhedor, seguro e atento às pessoas.

Passamos uma parte significativa da nossa vida no trabalho. São horas compartilhadas com colegas, gestores, equipes e diferentes pessoas que fazem parte da nossa rotina.

Por isso, o ambiente profissional também pode ser um espaço importante para promover saúde, fortalecer relações e perceber mudanças que merecem atenção.

É nesse contexto que o Setembro Amarelo ganha relevância para as empresas.

A campanha, que tem como marco o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, em 10 de setembro, amplia a conversa sobre prevenção, valorização da vida e busca por ajuda. O Ministério da Saúde reforça que o suicídio pode ser prevenido e que reconhecer sinais de alerta pode ser um passo importante para oferecer apoio.

No ambiente de trabalho, falar sobre o assunto significa, sobretudo, estimular uma cultura em que a saúde mental seja tratada com seriedade, respeito e acolhimento.

Saúde mental também é uma questão de saúde ocupacional

A saúde do trabalhador não se limita à prevenção de acidentes ou à proteção contra agentes físicos, químicos e biológicos.

As condições em que o trabalho é realizado também podem interferir na saúde mental. O Ministério da Saúde reconhece os transtornos mentais relacionados ao trabalho entre os agravos que devem ser considerados na saúde do trabalhador, incluindo situações em que fatores relacionados à organização e à gestão do trabalho estejam envolvidos.

Essa abordagem ganhou ainda mais relevância no cenário atual de Segurança e Saúde no Trabalho.

A nova redação do capítulo 1.5 da NR-1, vigente desde 26 de maio de 2026, passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Entre os exemplos apresentados pelo Ministério do Trabalho e Emprego estão excesso de demandas, assédio e falta de suporte ou apoio no trabalho.

Isso não significa que toda questão de saúde mental seja causada pelo trabalho.

Significa que as organizações precisam olhar também para as condições e a organização do trabalho que podem representar fatores de risco, adotando medidas de prevenção quando necessário.

Mudanças de comportamento merecem atenção

No dia a dia, colegas de trabalho acabam conhecendo hábitos, comportamentos e características uns dos outros.

Por isso, uma mudança significativa pode chamar a atenção.

Um profissional que passa a se isolar repentinamente, demonstra tristeza persistente, apresenta mudanças marcantes de comportamento, perde o interesse por atividades que antes realizava ou manifesta desesperança pode estar atravessando uma situação de sofrimento emocional.

É importante, porém, evitar conclusões precipitadas.

Um sinal isolado não permite diagnosticar uma condição de saúde mental ou determinar que uma pessoa esteja em risco de suicídio. O Ministério da Saúde ressalta que os sinais de alerta devem ser considerados em conjunto e dentro do contexto de cada pessoa.

O mais importante é perceber que aquela mudança pode indicar que algo não está bem e que talvez seja necessário oferecer apoio.

O que fazer ao perceber que um colega pode estar sofrendo?

Nem sempre sabemos exatamente o que dizer diante de uma situação delicada.

E não é necessário ter todas as respostas.

Algumas atitudes simples podem fazer diferença:

1. Escute com atenção

Se a pessoa quiser conversar, procure ouvir com calma e sem interromper ou minimizar aquilo que ela está sentindo.

Frases como “isso não é tão grave” ou “você precisa ser forte” podem fazer com que ela se sinta ainda mais sozinha.

Às vezes, oferecer presença e disponibilidade para ouvir já é uma forma importante de apoio.

2. Evite julgamentos

Cada pessoa reage de uma maneira diferente diante das dificuldades.

Evite comparações, críticas ou comentários que desqualifiquem o sofrimento do outro.

Empatia significa reconhecer que aquilo que parece pequeno para alguém pode ser muito difícil para outra pessoa.

3. Incentive a busca por ajuda profissional

Colegas de trabalho podem oferecer acolhimento, mas não substituem profissionais especializados em saúde mental.

Quando houver sinais de sofrimento, é importante incentivar a pessoa a procurar atendimento profissional e, quando possível, ajudá-la a encontrar caminhos para esse cuidado.

4. Conheça os canais de apoio da empresa

Empresas também podem estabelecer canais e fluxos para situações que envolvam sofrimento emocional.

RH, liderança, Saúde Ocupacional, profissionais de SST e outros canais internos podem fazer parte dessa rede de apoio, respeitando sempre os limites de confidencialidade e as responsabilidades de cada área.

5. Em uma situação de risco imediato, procure ajuda imediatamente

Se houver indicação de risco iminente, a situação exige atenção imediata.

O Ministério da Saúde orienta que, diante de uma pessoa em perigo imediato, ela não seja deixada sozinha e que sejam procurados serviços de saúde ou emergência e pessoas de confiança indicadas por ela.

No Brasil, o SAMU 192 integra a rede de atendimento de urgência, enquanto os serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), incluindo os CAPS, fazem parte da estrutura pública de cuidado em saúde mental.

E qual é o papel da empresa na prevenção?

Prevenir não significa apenas reagir quando uma situação de sofrimento já está instalada.

Uma empresa também pode trabalhar para construir condições de trabalho mais saudáveis e relações profissionais baseadas em respeito, diálogo e apoio.

Isso envolve observar aspectos como:

  • Organização e distribuição das demandas
  • Excesso de trabalho e pressão por resultados
  • Autonomia e clareza sobre responsabilidades
  • Qualidade das relações profissionais
  • Comunicação interna
  • Suporte oferecido aos trabalhadores
  • Estilo de gestão (priorizando a gestão participativa)
  • Situações de assédio ou violência
  • Mudanças organizacionais
  • Condições que possam favorecer sobrecarga física ou mental

Esses aspectos fazem parte do debate atual sobre os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho e devem ser considerados dentro do gerenciamento de riscos ocupacionais quando aplicáveis.

O próprio Ministério do Trabalho e Emprego destaca que o gerenciamento de riscos ocupacionais tem como objetivo garantir condições e ambientes de trabalho seguros e saudáveis, por meio de ações coordenadas de prevenção.

Prevenção também é criar um ambiente onde pedir ajuda seja possível

Uma cultura de saúde mental não se constrói apenas com uma campanha em setembro.

O Setembro Amarelo é uma oportunidade para abrir espaço para uma conversa que precisa continuar durante todo o ano.

Uma empresa que valoriza seus profissionais precisa olhar para a saúde de maneira integral, incluindo aspectos físicos e mentais.

Isso significa promover informação, combater estigmas, orientar lideranças, fortalecer canais de apoio e identificar fatores relacionados ao trabalho que possam ser prevenidos ou controlados. É necessário que a empresa crie e divulgue canais internos aos quais os trabalhadores possam recorrer, mantê-los operantes e incentivar o seu uso. 

Mais do que perguntar “como está sua produtividade?”, é importante que exista espaço para perguntar, com respeito e humanidade:

“Como você está?”

E, principalmente, que a resposta seja ouvida e as necessidades identificadas sejam encaminhadas.

Setembro Amarelo: falar sobre prevenção é falar sobre cuidado

A prevenção do suicídio é uma responsabilidade que envolve toda a sociedade.

No ambiente de trabalho, cada pessoa pode contribuir para uma cultura mais atenta e acolhedora: escutando sem julgar, respeitando o sofrimento do outro, incentivando a busca por ajuda e conhecendo os canais disponíveis para oferecer suporte.

Para as empresas, o cuidado também passa pela prevenção dos fatores de risco relacionados à organização do trabalho e pela construção de ambientes que promovam saúde, segurança e respeito.

Neste Setembro Amarelo, a Labormed reforça seu compromisso com a Saúde Ocupacional e a Segurança do Trabalho, apoiando iniciativas que valorizam a vida e contribuem para ambientes profissionais mais saudáveis.

Precisa de apoio?

Se você ou alguém próximo estiver em sofrimento emocional ou em situação de risco, procure ajuda profissional ou os serviços de emergência disponíveis. O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, oferecendo apoio emocional e prevenção do suicídio. O Ministério da Saúde também orienta a busca pelos serviços da Rede de Atenção Psicossocial e pelos serviços de urgência quando necessário.

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